Um novo ano começou e com ele vêm algumas mudanças.
Durante esse mês, nós estamos em uma espécie de laboratório, estamos testando
novas formas de fazer o blog. Com isso, não teremos mais resenhas nas quartas,
mas o CCSexta e o CCTV continuam normalmente. Isso não quer dizer que
postaremos menos, só estamos estudando outros meios de trazer conteúdo para o
blog.
Pensando em uma forma diferente de falar de livros,
tive a ideia de fazer uma coluna em que eu vou escrevendo ao longo da leitura
meus pensamentos sobre o livro, em vez da habitual resenha após a conclusão.
O livro comentado será “Os Miseráveis”, clássico de
Victor Hugo. Leia o primeiro post depois do “pulo”.
No último dia 25, o Papai Noel resolveu ser bondoso
comigo e me presenteou com a edição linda que a Cosac Naify lançou recentemente
de “Os Miseráveis” (foto ao lado). O livro, que tem quase 2.000 páginas, é dividido em dois volumes.
Obviamente, os exemplares acabam sendo muito pesados por causa do grande número
de páginas e isso prejudica a leitura durante um longo período de tempo, mas é
algo que dá para contornar.
Quando pedi o livro e mesmo quando comecei a ler, eu
não sabia qual era a sinopse do livro. Sabia que ele se passava na França e que
falava de desigualdade social, mas eu não sabia exatamente como isso seria
feito. E, bem, eu ainda não sei. Para não me decepcionar ou desanimar, não
procurei nada sobre a história (quer dizer, eu acabei pesquisando uma
informação, mas nada grande. Falo sobre isso mais adiante) e não pretendo
fazê-lo até terminar, quero ir descobrindo
o livro, a sensação de surpresa me agrada.
O livro é dividido em cinco partes, que por sua vez
são divididas em “livros”. Nesse momento, estou no segundo livro (de oito) da
Parte 1, na página 141, para ser mais específico. Até agora, os comentários a
serem feitos são quanto à escrita de Victor Hugo e não quanto à história em si.
Sempre que vou ler um livro mais antigo, fico com
certo medo da linguagem e devo dizer que esse é um medo que não precisa ser
sentido antes de ler esse livro. A linguagem é atual e é exatamente como é dito
na Nota dos Editores, “a modernização da tradução resultou em um estilo mais
fluente e em um texto que se pretende mais próximo dos leitores de hoje”.
A forma como Victor Hugo escreve tem um traço bem
marcante e que me prendeu bastante, ele dialoga com o leitor o tempo inteiro. O
livro não possui um narrador onisciente tradicional, o narrador da história é o
Victor Hugo mesmo, ele está sempre contando a história como quem conta algo
para um amigo, quase numa conversa. Para “ilustrar” isso, há um momento em que
Victor Hugo cita uma personalidade como uma parenta dele (embora a informação
não bata com dados históricos, segundo uma nota de rodapé).
Quanto à história em si, até agora o autor só
apresentou D. Bienvenu, Bispo de Digne, e sua vida. Ele é descrito como um
homem muito bondoso, caridoso e que se põe no mesmo patamar de uma pessoa
qualquer. O bispo não possui nenhuma riqueza, pelo contrário, todo dinheiro que
ganha é devidamente distribuído entre os mais pobres.
Durante todo o “livro primeiro”, o autor apenas
introduz a vida desse bispo, contando várias histórias envolvendo esse
personagem. Victor Hugo consegue montar e descrever perfeitamente o personagem,
em vários momentos eu sentia que D. Bienvenu era um amigo meu ou algo do tipo,
do tanto da vida dele que eu conhecia.
Como gostei muito do personagem e estou muito ansioso
pela adaptação cinematográfica que em breve chega aos cinemas brasileiros, fiz
uma rápida pesquisa sobre ele para saber qual ator encarnaria o personagem
nesse filme. O que me espantou foi ver que Bienvenu é, na verdade, um
personagem secundário.
Fiquei espantado porque nunca antes havia lido um
livro em que eu conhecesse tão bem um personagem secundário. E eu estou feliz
com isso, realmente estou. Gosto de me envolver com um livro e quem possibilita
isso são os personagens e, se eles são tão bem descritos, o envolvimento é
certo.
Não sei se os próximos personagens que irei conhecer
serão tão bem descritos, mas eu espero que sim. No ponto do livro em que estou,
um novo personagem está sendo apresentado, no próximo post eu conto se as
descrições continuam ou não.
--
Ei, você aí! Gostaria de pedir que vocês comentassem
o que acharam dessa nova coluna, porque sempre que testamos algo novo
precisamos saber como vocês estão recebendo isso. Espero que tenham gostado!
-paulo v. santana
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2 comentários
Oi, Paulo o/
ResponderExcluirPrimeiro de tudo, queria dizer que achei legal esses testes para "renovar" o blog. Acho que algumas mudanças sempre dão um novo ânimo pra continuar se fazendo as coisas (: Sobre essa nova coluna, achei que tem uma proposta bem original. Curti.
Então, eu nem sabia da existência de "Os Miseráveis" até ver que a Helena Bonham Carter fazia parte do cast (gente, vocês já perceberam como eu sou desinformado com as coisas? Que horror). Daí eu vi o trailer e achei lindo! Não tive a oportunidade de ler o livro antes, mas o filme me empolgou.
Vai ser legal acompanhar seu progresso de leitura, pra conhecer um pouco mais da história e saber porque todos amam esse livro (: Progresso de leitura é uma coisa linda, né? Acho tão incrível registrar suas opiniões ao decorrer do livro (um dos motivos pelo qual eu amo o Skoob!).
Enfim, adorei a ideia do post e com certeza vou ler os próximos dessa coluna :D
É isso, abraços! (:
P.S: Esqueci de dizer que estou lendo A Idade dos Milagres, que você indicou aqui no blog faz um tempo. Gostando muito o/
Tenho que ler.
ResponderExcluirE você me inspirou, e muito.